Bulling, culpa da escola ou dos pais?

Era uma vez uma menino chamado Jeremias.

Ele era quieto, fechado, tímido. Em casa repreendido quando tentava falar, na escola, ridicularizado.

E era requisitado um desenho, as imagens sempre rodavam dentre a um jovem (ele) de braços erguidos, e abertos, como se fosse um V e debaixo dele, outros jovens. Seus colegas o chamavam de “Rei”, o Rei Jeremias e o chamavam de louco, maluco, esquizofrênico, idiota ou simplesmente “rei”. Esse era seu apelido desde a pré escola.

Os pais, um alcoólata e uma viciada em jogos, o chamavam de, aquele lunático do meu filho. Jeremias encontava refúgio na mata que havia na rua de trás de sua casa. O padre da cidade, certa vez disse para os meninos que jogavam futebol no campinho de terra para evitar chegar perto, pois ele poderia ser perigoso.

Os professores, quando passavam a matéria, nunca perguntavam se Jeremias tinha compreendido, suas notas eram as piores e nas reuniões dos detentores de sabedoria, na hora do intervalo era motivo de chacota. Enquanto isso, Jeremias, na hora do intervalo sentava-se sozinho num banco de concreto, mesmo em dia de chuva, e olhava com o canto do olho. Era um ser isolado, caricato, era simplesmente uma ilha. Em casa, na escola, na sociedade, o que se pode colocar como um lixo humano. Na educação física, aproveitava que seu professor não exigia que fizessem exercícios para fazer desenhos. Na mata onde se escondia, após algum tempo foram descobertos alguns poemas, desenhos e um violão, todo escrito e desenhado com algum material cortante. No violão uma frase curta, estava escrita em vários formatos; “I Hate, I Hate, I Hate, I Hate…”  O amigo de Jeremias era o violão que o pai ganhou numa rifa e lhe dera para que viesse “parar de encher o saco”.

Certo dia, Jeremias, que na sala de aula era como um objeto decorativo, um poste, levantou a mão e perguntou:

– Professor Matias, não entendi como chego ao fim do calculo da questão 3!

A repercussão foi geral pois a resposta do professor foi automática: – A 3 Jeremias? Mas todos já estão na 14 e você ainda está na 3? Vai acordar pra vida quando moleque?

A sala inteira gargalhava do então “patinho feio”. O professor ria junto. os alunos gritavam “O rei falou, o rei falou, o rei falou!”

Jeremias se cala, baixa a cabeça e começa a chorar de raiva. Do professor, dos colegas, da sua inteligência… Dá o sinal, a aula acaba, ele junta seus pertences, um por um, os colegas de sala de aula espalham o fato que “o rei falou na aula” e contam a história. A escola inteira grita o rei falou, as paredes gritam o rei falou.

Mal, fora de si, Jeremias vai para mata, nem vai em casa, afinal seu pai deveria estar bêbado e sua mãe jogando algum jogo de azar em algum cassino clandestino. Dá-se a viração do dia. Amanhece na cidade e está na hora da aula. Os pais nem percebem que ele não voltou. Transtornado, canta uma canção, pega sua arma e vai para a escola, sem camiseta adentra a escola. O porteiro ri dele estar sujo, sem camisetas e com a mochila nas costas. Jeremias pára em frente a sala, abre a mochila e coloca o revolver calibre 32 na cintura, abre a porta e a turma, ao vê-lo entrar começa  a grita “rei, rei, rei, rei”.

Jeremias grita. -Sim, sou rei… sou mais pensante que vocês, mais corajoso que vocês e os odeio! E essa é a prova. Saca a arma, se suicida. Um tiro na cabeça. o sangue espirra pela sala. E assim termina a história de Jeremias, ou Jeremy.

Gente, para muitos peguei pesado, mas toda essa retalhação chama-se Bulling. É um termo inglês que é usado para retratar ou descrever atos de violência física ou mental repetitivos contra o próximo. Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam já retrata isso nessa canção desde 1992 ao lado de Jeff Ament, guitarrista da banda.

Esse tem sido um problema que assola a sociedade moderna. Nas escolas, empresas e famílias. Sim, adultos também sofrem bulling. Esse problema tem vindo a toda, com casos como os ocorridos na China e no Rio Grande do Sul. E não há como dizer que casos como o de Jeremy sejam fictícios, pois à vítima de bulling, nunca se sabe qual será a reação. Hoje ainda ouvia um programa de rádio, com Lauro Quadros, chamado Polêmica, onde uma psicóloga dizia algo ao qual eu concordei plenamente: o único que não pode ser culpado pelo bulling é o próprio agredido. A culpa está na criação do pai e da mãe, que não vão até a escola para saber como vai o filho. Dos professores que não sabem dizer “chega” para os colegas do agredido e dos pais dos agressores; sim, pois esses devem contar em casa que “tiraram onda” desse ou daquele colega e o pai deve dar risadas junto. Agora paguem seções de psicólogos para seus filhos superarem o trauma de verem frente a frente um suicídio.

E sobre Deus, perceberam que não falei nada sobre Ele no post? Pois é, vou terminar o post com uma pergunta: Será que dentre os agressores de Jeremias, ou Jeremy, não havia nem um “cristão” ou filhos de “cristãos”? Se isso acontecesse com seu filho, você iria até a escola e brigaria com os professores para que acabassem com as brincadeiras. Mas, e se você é o pai de um dos agressores, se você é um dos que riam quando o Júnior contava as histórias, por que não foi até a escola e deu um basta?

Vamos parar e pensar, que educação damos aos nossos filhos? É esse o futuro que queremos para nossa sociedade?

Em Cristo,

Diagnóstico Cristão.

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